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Justiça por Igualdade: Por que repensar nosso vocabulário é um ato de respeito?
- Publicado: Segunda, 09 Março 2026

Dando continuidade às ações da campanha ‘Justiça por Igualdade: o peso das palavras’, o Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-SE) apresenta nesta semana uma reflexão essencial sobre a linguagem. A iniciativa destaca que a desconstrução do racismo passa, obrigatoriamente, pela revisão do nosso vocabulário cotidiano.
A campanha ‘Justiça por Igualdade: o peso das palavras’ é uma realização do Programa Nacional de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, no âmbito regional, dos Subcomitês de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual e à Discriminação no 1° grau de jurisdição e o de 2° grau de jurisdição, e da Divisão de Acessibilidade, Inclusão e Diversidade (Daidi).
Muitas expressões que utilizamos de forma automática possuem raízes históricas de exclusão, desumanização e inferiorização de pessoas negras. Entender a origem dessas palavras é o primeiro passo para promover um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo.
VOCABULÁRIO PARA A IGUALDADE: 10 EXPRESSÕES PARA ABOLIR
Confira abaixo termos comuns que devem ser evitados e como substituí-los:
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Expressão |
Por que evitar? |
O que dizer em vez disso? |
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Denegrir |
Utiliza a raiz "negro" para associar algo a "tornar escuro", com o sentido de manchar uma reputação. |
Difamar, caluniar ou manchar a imagem. |
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Inveja branca |
Reforça a ideia de que o "branco" é positivo e puro, sugerindo que existe uma inveja que não faz mal. |
Inveja (apenas) ou admiração. |
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Lista negra |
Associa a cor negra a algo proibido, perigoso ou que deve ser evitado. |
Lista de restrições ou lista de proibidos. |
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Criado-mudo |
Refere-se aos escravizados que ficavam imóveis ao lado da cama para servir seus senhores, sendo impedidos de falar. |
Mesa de cabeceira. |
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Mercado negro |
Associa a cor negra a atividades ilegais ou clandestinas. |
Mercado clandestino ou mercado ilegal. |
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Amanhã é dia de branco |
Sugere que apenas pessoas brancas trabalham, inferiorizando o trabalhador negro. |
Amanhã é dia de trabalho. |
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Serviço de preto |
Expressão pejorativa usada para classificar um trabalho malfeito ou de baixa qualidade. |
Trabalho malfeito ou tarefa desleixada. |
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Cabelo ruim / duro |
Estigmatiza características físicas naturais de pessoas negras como algo negativo. |
Cabelo crespo ou cabelo cacheado. |
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Mulata |
Origem na palavra "mula", remetendo à desumanização e à reprodução forçada de mulheres negras. |
Mulher negra ou mulher parda. |
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Cor de pele |
Refere-se apenas ao tom bege/rosado, ignorando a diversidade de tons de pele existentes. |
Cor bege ou rosa-claro. |
Por que essa mudança é necessária?
- O silêncio não protege: Assim como em outros casos de violência, o silêncio diante de expressões discriminatórias permite que o preconceito se perpetue.
- Informação é proteção: Conhecer a origem das palavras ajuda a identificar formas silenciosas de violência psicológica e moral no ambiente de trabalho.
- Espaço Seguro: O TRT-SE busca ser um ambiente de acolhimento e respeito para todos os seus integrantes.
Canais de Apoio no TRT-SE
Se você sofrer ou presenciar qualquer ato de racismo ou discriminação, o Tribunal dispõe de canais institucionais para orientação e proteção:
- Ouvidoria: Espaço seguro para escuta, orientação e encaminhamento, com garantia de sigilo e respeito.
- Polícia Judicial: Compete à Polícia Judicial do TRT da 20ª Região prover o suporte necessário para garantir a segurança e a integridade de todos, especialmente em situações que envolvam ameaças ou agressões.
Acesse aqui a Ouvidoria
Por Daniele Machado (Ascom TRT-SE)












