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Iniciativa substitui a soletração manual por sinais personalizados e torna a comunicação mais ágil para a comunidade surda.

Na Língua Brasileira de Sinais (Libras), o sinal pessoal funciona como um nome próprio visual. Em vez de soletrar letra por letra, a comunidade utiliza gestos que traduzem características marcantes de cada indivíduo para facilitar a interlocução. A partir de agora, essa prática passa a integrar oficialmente as transmissões e os eventos do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Todos os 27 ministros/ministras do tribunal receberam, no final de 2025, seus sinais personalizados durante o evento “Diálogos pela acessibilidade e inclusão”. Após os ajustes, as identificações já estão prontas para uso oficial nas transmissões do TST e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho no Youtube.

Conheça os sinais pessoais das ministras e ministros do TST:

Eficiência na comunicação

O projeto é fruto de uma parceria com a empresa Serviir, que atua na tradução e interpretação do Tribunal desde 2022 e reforça o direito à acessibilidade previsto na Lei Brasileira de Inclusão. Até então, intérpretes recorriam à datilologia (soletração manual dos nomes), o que, além de repetitivo, comprometia a fluidez das transmissões, especialmente em sessões de julgamento extensas.

Segundo a pesquisadora da Serviir e coordenadora do projeto, Alessandra Pereira, a constante repetição da soletração tornava o trabalho dos intérpretes exaustivo e prejudicava a compreensão do público. Com a adoção dos sinais individuais, a identificação dos magistrados torna-se imediata, o que garante maior clareza e agilidade. 

Para Danielle Bonotto, servidora da Assessoria de Acessibilidade e Inclusão (Acesi) do TST, o reconhecimento individual dos ministros aproxima a instituição das pessoas com deficiência. “Estreitaram-se os laços entre o tribunal e a comunidade surda”, disse. “Isso melhorou muito a acessibilidade comunicacional”, completou.

Presidente do TST ao lado de tradutoras de libras sorrindo fazendo seu sinal pessoal

Características marcantes viram sinais pessoais 

A criação dos sinais envolveu mais de mil horas de estudo. A equipe da Serviir analisou fotos, vídeos e informações biográficas dos magistrados em busca de características marcantes que pudessem ser traduzidas em sinais. Elementos como expressões faciais, acessórios e traços de personalidade foram considerados.

Os sinais pessoais precisam ser atribuídos, necessariamente, por uma pessoa surda. No projeto do TST, essa função foi desempenhada pela professora e revisora surda Ana Euvira Alves, com a colaboração de outros surdos convidados.

Para o ministro Lélio Bentes Corrêa, por exemplo, a barba foi o principal elemento considerado, representada por um “L” nesta região. O sinal do ministro Hugo Scheuermann também incorpora um detalhe relacionado à barba. No caso de Liana Chaib, o sinal faz referência ao uso frequente de lenços.
Caso a pessoa não se identifique com o sinal pessoal atribuído, ele pode ser reavaliado e substituído. Atualmente, 50 intérpretes traduzem as sessões do Tribunal de maneira remota e já estão aptos a usar os sinais pessoais dos 27 ministros.

 
 
 
Fonte: TST
Por Sofia Martinello/AJ