Justiça do Trabalho inicia elaboração do Plano Estratégico 2027-2032
- Publicado: Segunda, 24 Agosto 2026
Processo prevê participação dos 24 TRTs e uso de estudos de cenários para antecipar mudanças no mundo do trabalho

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) deram início oficial à elaboração do Plano Estratégico para o período 2027 a 2032. O objetivo central do novo plano é definir as diretrizes administrativas e operacionais que orientarão a Justiça do Trabalho nos próximos seis anos, com foco na melhoria dos serviços prestados ao cidadão e na capacidade de resposta às transformações do mundo do trabalho.
O lançamento da iniciativa ocorreu na quarta-feira (19), durante o encontro “Justiça do Trabalho em 2032: Construindo o futuro com estratégia, inovação e impacto social”, que reuniu magistrados, gestores e especialistas.
Na abertura do evento, o presidente do TST e do CSJT, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que o planejamento deve considerar não apenas as necessidades atuais, mas também o que a instituição pretende entregar à sociedade nos próximos anos. "Que Justiça do Trabalho queremos entregar à sociedade brasileira em 2032? O que precisamos começar a fazer hoje para estarmos preparados para esse futuro?", questionou.
Segundo o ministro, a construção do plano deve superar modelos de gestão burocráticos e pouco integrados. A proposta é envolver diferentes áreas da Justiça do Trabalho na definição das prioridades. “Não estamos aqui para tentar traçar o futuro isoladamente, mas para compartilhá-lo com cada área numa construção coletiva.”
Vieira de Mello Filho também ressaltou que, embora as ferramentas e métodos mudem, os valores centrais que norteiam as ações da instituição permanecem inegociáveis. "A nossa bússola continuará sendo a centralidade da pessoa humana, a valorização do trabalho, a efetividade dos direitos sociais e a promoção da justiça e da paz social", afirmou.
Governança antecipatória e "antifragilidade"
Uma das novidades do processo é a adoção de uma abordagem de governança antecipatória. Em vez de considerar apenas dados e experiências do passado, o planejamento vai mapear tendências, mudanças em curso e possíveis cenários futuros. Entre os temas a serem observados estão o avanço da inteligência artificial (IA) e a expansão do trabalho por plataformas digitais.
O secretário de Governança e Gestão Estratégica do CSJT, Dúlio Mendes Soares, explicou que a prospecção de cenários (foresight) será utilizada para identificar tendências e possíveis cenários futuros.
Segundo ele, a metodologia pode contribuir para tornar a instituição ‘antifrágil’, ao permitir que fragilidades identificadas sejam utilizadas como oportunidades de aperfeiçoamento. “Performance não é obra do acaso; é obra de planejamento, trabalho e envolvimento”, pontuou.
Complementando essa visão, o secretário de Governança e Gestão Estratégica do TST, Francisco Nina, pontuou o desafio de “conectar metas de longo prazo com a rotina das unidades". Ele ressaltou ainda que a estratégia deve ser simples e capaz de transformar mudanças em oportunidades de melhoria para a instituição.
Novo modelo aproxima planejamento nacional e regional
A construção do plano nacional ocorrerá de forma articulada com os 24 Tribunais Regionais do Trabalho. Para isso, será utilizada a metodologia da “Cascata Adaptada”, que permite aos TRTs avançarem na elaboração de seus planos locais à medida que as etapas nacionais forem concluídas.
Com esse modelo, diagnósticos e estudos produzidos pelo TST e pelo CSJT serão compartilhados com os Tribunais Regionais ao longo do trabalho. Algumas atividades também poderão ser desenvolvidas de forma independente pelos próprios TRTs.
“Conforme produtos nacionais forem gerados, como o mapeamento de cenários, esses conteúdos serão repassados imediatamente aos Tribunais Regionais para que iniciem as etapas locais. Algumas atividades poderão até ser iniciadas de forma independente pelos próprios Tribunais”, explicou Dúlio Mendes Soares.
De acordo com ele, o processo também prevê a elaboração de “planos de contribuição”, nos quais cada tribunal e unidade poderá definir de que maneira contribuirá para os objetivos comuns da Justiça do Trabalho. A proposta segue as diretrizes gerais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), previstas na Resolução CNJ nº 692, mas permite adaptar a execução do planejamento às características de cada região.
O CSJT será responsável pela condução técnica e pelo apoio metodológico e, nesta primeira etapa, os TRTs da 3ª Região (MG), da 10ª Região (DF/TO) e da 21ª Região (RN) atuarão como tribunais parceiros das ações de planejamento.
A construção do planejamento também contará com a escuta ativa de advogados, magistrados, servidores e representantes da sociedade civil. Para o coordenador da Comissão Gestora de Metas Nacionais do TST, ministro Cláudio Brandão, essa abertura é indispensável para construir metas mais alinhadas às demandas do cidadão.
Tecnologia, ética e controle humano
O avanço tecnológico será um dos fatores considerados no planejamento, especialmente diante da expansão da inteligência artificial e de novas formas de organização do trabalho.
A chefe de Assuntos Internacionais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Maíra Lacerda, chamou a atenção para o risco de algoritmos reproduzirem vieses e preconceitos humanos. Para ela, cabe ao Estado “garantir acessibilidade e mecanismos de revisão humana em processos automatizados, especialmente no trabalho por plataformas”.
A atuação conjunta entre o MTE e o Judiciário trabalhista também foi destacada por ela como importante diante dessas transformações.
No campo da atividade jurisdicional, Cláudio Brandão apontou novos desafios éticos e operacionais decorrentes do uso de tecnologias. Segundo o ministro, os riscos já não estão restritos aos ataques cibernéticos e também envolvem sistemas automatizados capazes de interferir em processos de decisão. “A tecnologia não deve suplantar a ética e o controle humano”, defendeu.
Próximos passos
A elaboração do Plano Estratégico 2027-2032 seguirá um cronograma de trabalho, com entregas mensais, até junho de 2027. Nesse período, serão desenvolvidas as etapas do planejamento nacional e dos planos do CSJT e dos 24 TRTs.
De acordo com o CSJT, a expectativa é que, ao final do processo, os diferentes planos estejam integrados em torno de objetivos comuns, mas alinhados às características e necessidades de cada tribunal e às demandas da sociedade.
Fonte: CSJT












