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TRT-SE promove reflexão sobre ancestralidade, direitos e resistência das comunidades quilombolas
- Publicado: Segunda, 14 Setembro 2026

O Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-SE) promoveu, na sexta-feira, 11, o evento “O Universo Quilombola em Sergipe”, que reuniu magistrados(as), servidores(as), terceirizados(as), estagiários(as) e jovens aprendizes para uma manhã de conhecimento e reflexão sobre a realidade das comunidades quilombolas sergipanas. Realizada no Espaço de Capacitação e Inovação da Escola Judicial (Ejud-20), a atividade integrou a Semana de Conscientização voltada à Equidade Racial.
A programação foi desenvolvida pelo Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade, no âmbito regional, com o apoio do Subcomitê de Equidade e Diversidade do TRT-SE e abordou temas como educação quilombola, educação antirracista, ancestralidade, memória, território, direitos, inclusão e acesso à Justiça.
A mesa de abertura foi composta pela desembargadora Maria das Graças Monteiro Melo, coordenadora do Subcomitê de Equidade e Diversidade, e pela juíza Júlia Borba Costa Noronha, integrante do Subcomitê. Ambas são gestoras regionais do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade no âmbito do Tribunal.
Para a desembargadora Maria das Graças Monteiro Melo, ações como essa promovem a reflexão. “Precisamos levar conhecimento e ampliar o olhar das pessoas para uma realidade que ainda é marcada pela discriminação racial”, afirmou.
Já a juíza Júlia Borba Costa Noronha destacou a importância de sensibilizar a comunidade do Tribunal para o respeito às diferenças e o enfrentamento aos preconceitos. “Precisamos conhecer melhor as comunidades quilombolas e aprender a respeitar as diferenças. Esse contato amplia nosso olhar e ajuda a desconstruir estereótipos, fortalecendo relações mais respeitosas e humanas”, enfatizou.
Logo após a abertura, o público assistiu ao espetáculo teatral e musical “EJÉ KILOMBO – O SANGUE QUE RESISTE”, apresentado pelo Coletivo Teatro de Mala. Por meio do teatro, da música, da poesia e da expressão corporal, a montagem abordou ancestralidade, memória e resistência negra e quilombola, além de provocar reflexões sobre racismo estrutural, identidade, pertencimento e valorização da cultura afro-brasileira.
Na sequência, a professora mestra Maria Eliane Dantas dos Santos apresentou a palestra “Educação Quilombola e Educação Antirracista: Direito à Educação, Saberes e Experiências Pedagógicas em Quilombos Sergipanos”. A exposição abordou a educação quilombola como direito e política pública, além de apresentar experiências pedagógicas nas comunidades Mussuca, em Laranjeiras, e Quebra Chifre, em Riachuelo.
“É importante discutir conhecimentos que historicamente nos foram negados e compreender a presença da população quilombola no Brasil, suas desigualdades e as políticas públicas voltadas para essas comunidades”, disse Maria Eliane.
Em seguida, o professor doutor João Mouzart de Oliveira Junior apresentou a palestra “Cartografias da Ancestralidade: Memórias, Territórios e Saberes dos Quilombos Sergipanos”. Além da história, a exposição abordou os desafios relacionados aos direitos territoriais e ao reconhecimento social. “Dialogar sobre este assunto é potencializar as experiências negras não apenas pelo viés da resistência, mas também da existência. É falar de continuidade, respeito às diferenças, humanização e construção de novas formas de relação”, destacou o docente.
Após as palestras, houve uma roda de conversa mediada pela juíza Júlia Borba Costa Noronha. O momento possibilitou o compartilhamento de dúvidas, percepções e experiências a partir dos temas apresentados durante a manhã.
A servidora Alayde Maria Vieira de Abreu avaliou positivamente o evento. “Foi um momento muito reflexivo, que trouxe questões para o nosso dia a dia e nos fez pensar sobre os preconceitos que muitas vezes carregamos. Fico feliz e orgulhosa de trabalhar em uma instituição que tem esse olhar para o outro e para a inclusão”, declarou.
Teatro leva reflexão para o Fórum
As atividades do projeto “O Universo Quilombola em Sergipe” também chegaram ao Fórum Dantas do Prado, nos dias 8 e 10 de setembro, com intervenções teatrais surpresa do Coletivo Teatro de Mala. A encenação retratou uma situação de racismo e intolerância religiosa, envolvendo um ator com turbante e outro que interpretava um policial judicial. Sem saber que se tratava de uma intervenção artística, algumas pessoas presentes reagiram à cena e manifestaram indignação.
Entre os que se manifestaram durante a intervenção esteve o advogado Felipe Augusto Sena Silva. “Achei muito interessante a iniciativa por mostrar os dois lados: o de quem sofreu o racismo e o das pessoas que presenciaram a situação. A reação de quem estava aqui mostrou que muita gente ainda defende o Estado laico e a liberdade religiosa. Mesmo quem não é do Candomblé se indignou com o que viu. Achei o projeto excelente e acredito que deveria ser realizado novamente em outros tribunais”, avaliou o advogado.
A proposta foi provocar reflexão sobre situações de discriminação e intolerância e ampliar o debate sobre equidade racial, direitos e acesso à Justiça.
Por Patricia Teles (Ascom TRT-SE)
















