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Em seu discurso na cerimônia de posse da nova junta diretiva da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), nesta segunda-feira (26/1), o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, destacou o papel central dos direitos humanos e a importância de fortalecer o Sistema Interamericano para a proteção democrática no continente. A cerimônia marcou a posse do jurista brasileiro Rodrigo Mudrovitsch como presidente da Corte e da magistrada chilena Patricia Pérez Goldberg como vice-presidente.

Em São José da Costa Rica, o ministro fez uma retrospectiva histórica para analisar a evolução da democracia e dos direitos humanos nas Américas e ressaltou como Mudrovitsch, eleito em novembro de 2025, tem contribuído de forma significativa para o fortalecimento dos direitos humanos na região.

O presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, na cerimônia de posse de Rodrigo Mudrovitsch na presidência da Corte IDH. Foto: Ester Vargas/Corte IDH.

O presidente do CNJ e do STF reforçou a disposição de ambas as instituições no sentido de defender e consolidar a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH) e a jurisprudência da Corte IDH. “Contem com o STF para a valorização da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e com o CNJ que, no âmbito de suas competências, tem procurado monitorar ativamente o cumprimento das decisões que dizem respeito ao Brasil”, pontuou.

De acordo com o ministro, as Unidades de Monitoramento e Fiscalização das Decisões do Sistema Interamericano, instituídas nos tribunais brasileiros, desempenham essa tarefa com prioridade especial.

Riscos à democracia

Ao abordar os fundamentos históricos da democracia na América Latina, Fachin avaliou que o Estado de Direito Democrático vive um período crítico no Brasil e nas Américas. “A memória desse episódio [o 8 de janeiro] não se dirige ao passado — dirige-se ao futuro e ao nosso continente como um todo. Nem sempre o autoritarismo se apresenta com a face ruidosa da ruptura aberta. Há uma modalidade insidiosa, silenciosa, graduada, que corrói as instituições por dentro: a erosão democrática”, descreveu.

De acordo com Fachin, integram a erosão democrática situações em que a estrutura do sistema de freios e contrapesos é testada até sua exaustão. “São tempos em que a liberdade de imprensa é hostilizada; em que magistrados e magistradas são perseguidos por seu ofício; em que direitos civis, políticos e sociais são relativizados; e em que o discurso de ódio alcança mulheres, imigrantes, minorias étnicas e religiosas”, alertou.

Em sua fala, o ministro Fachin afirmou ainda que a América Latina carrega desigualdades estruturais profundas até hoje. Nesse cenário, a promoção dos direitos humanos foi, e continua sendo, segundo Fachin, o caminho para que a democracia deixe de ser mera forma para tornar-se projeto ético e político.

Integração

Fachin lembrou do empenho do Judiciário brasileiro em trazer a Corte Interamericana para perto dos indivíduos e, sobretudo, para perto dos magistrados, em todos os níveis de jurisdição. “Juízas e juízes locais são guardiões imediatos dos direitos humanos e, em razão da subsidiariedade desta Corte, possuem papel estratégico. É deles a responsabilidade primeira de harmonizar direito doméstico e direito internacional, assegurando proteção aos mais vulneráveis”, declarou.

Para reforçar a aplicação das decisões da Corte IDH na cultura jurídica brasileira, o ministro Fachin apresentou, em primeira mão, dois protocolos elaborados pelo CNJ: o Protocolo de Monitoramento das Decisões do Sistema Interamericano, que sistematiza metodologias para acompanhamento do cumprimento das decisões; e o Protocolo de Promoção de Cultura Institucional de Direitos Humanos, voltado à capacitação e à difusão jurisprudencial. “Ambos fortalecem o diálogo entre o Judiciário brasileiro e esta Corte”, reforçou.

Além dos protocolos, o ministro Fachin mencionou também a criação do Laboratório Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição. “A iniciativa foi concebida como espaço permanente de formulação de políticas judiciárias coerentes com os parâmetros interamericanos, voltado à prevenção de violações e à realização de garantias de não repetição”, reiterou.

Ao final, o ministro disse que a união de Estados, magistrados, acadêmicos e representantes da sociedade civil sob o signo da Convenção Americana mostra que todos estão com os olhos no horizonte de uma dignidade humana mais universal. “Somos companheiros de travessia, e a nossa nau comum é a democracia constitucional, cuja expressão internacional encontra nesta Corte uma de suas bússolas mais sensatas”, concluiu.

Fonte:CNJ
Texto: Ana Moura
Edição: Sarah Barros
Revisão: Caroline Zanetti