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Episódio do programa “Do Oiapoque ao Chuí, a Justiça do Trabalho está aqui” debateu burnout, hiperconectividade, ludopatia e trabalho mediado por tecnologia

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O podcast Do Oiapoque ao Chuí, a Justiça do Trabalho está aqui, produzido pela Secretaria de Comunicação Social do Tribunal Superior do Trabalho (TST), teve, pela primeira vez, um episódio transmitido ao vivo. A 7ª edição foi realizada na quarta-feira (30), na sede do Tribunal, em Brasília, durante a realização do seminário “Transformações do Trabalho Seguro na Sociedade Tecnológica e seus Reflexos na Justiça do Trabalho”. 

O estúdio foi montado no corredor do quinto andar do bloco B e a data da transmissão marcou o encerramento do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental. O tema esteve presente em diferentes discussões ao longo das mais de oito horas de transmissão. 

O episódio abordou os impactos da hiperconectividade, do trabalho em plataformas digitais e das novas formas de organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores. Foram realizadas entrevistas com a participação de onze convidados, entre ministros, desembargadores, juizes, professores e jornalistas.
“O podcast nasce da decisão de levar a Justiça do Trabalho cada vez mais longe. É uma oportunidade de levar todas as informações de maneira rápida e simples”, contou o secretário de Comunicação do TST e apresentador do programa, Edney Martins.

Riscos invisíveis 

Entre os assuntos discutidos esteve o crescimento dos casos de burnout e seus reflexos nas relações de trabalho. Dados apontam aumento superior a 400% nos casos registrados nos últimos dez anos. Entre janeiro de 2016 e abril de 2026, foram contabilizadas 22 mil e 815 ações trabalhistas relacionadas ao tema, com valor total das causas superior a R$ 9 bilhões. 

O cenário está relacionado aos impactos da organização do trabalho sobre a saúde mental. Pressão por produtividade, hiperconectividade, disponibilidade constante e dificuldade de separar vida profissional e pessoal estão entre os desafios das novas formas de trabalho. 

Na ocasião, o juiz Cláudio Freitas, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), chamou atenção para os chamados “riscos invisíveis”, que podem produzir consequências para a saúde mesmo sem deixar marcas físicas imediatas.

edney e natália durante transmissão de podcast no corredor do quinto andar do tst 
Apostas, ludopatia e trabalho

Outro tema abordado no episódio foi o crescimento da ludopatia, transtorno relacionado à dependência em jogos e apostas, e seus efeitos sobre trabalhadores, famílias e empresas. Dados do Ministério da Saúde revelam que a procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada à dependência em jogos e apostas cresceu quase 140% nos últimos cinco anos.

O fenômeno também já aparece nas discussões trabalhistas. No primeiro semestre de 2022, cerca de 11 trabalhadores foram afastados pelo INSS por ludopatia. Em 2026, o número já ultrapassa 260.

Segundo o psiquiatra Hermano Tavares, referência brasileira em jogo patológico e fundador do Ambulatório de Jogo Patológico do Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-USP), o avanço das apostas pode trazer consequências para diferentes áreas, como as relações de trabalho, família, economia e sistema de saúde. 

Subordinação algorítmica

As transformações provocadas pelo trabalho em plataformas digitais também estiveram entre os principais temas da edição especial.

O desembargador Guilherme Guimarães Feliciano, referência em estudos sobre trabalho em plataformas e subordinação algorítmica, discutiu as condições enfrentadas por trabalhadores plataformizados, como motoristas e entregadores de aplicativos.

A subordinação algorítmica ocorre em contextos nos quais sistemas digitais e algoritmos passam a desempenhar papel relevante na organização, distribuição, avaliação e controle do trabalho. A discussão envolve, entre outros aspectos, os efeitos desse modelo sobre a segurança e a saúde mental dos trabalhadores.

Confira o episódio completo do videocast Do Oiapoque ao Chuí:

Do Oiapoque ao Chuí, a Justiça do Trabalho está aqui

Com apresentação de Natália Pianegonda e Edney Martins, o podcast aborda temas variados a cada 15 dias. Os episódios estão disponíveis no Spotify, no site do TST e também no canal do TST no Youtube.

(Sofia Martinello/JS - Fotos: Fellipe Sampaio)

Fonte: CSJT