Primeiro dia de Coleprecor debate segurança digital e combate à violência infantil
- Publicado: Quarta, 21 Outubro 2026

8ª reunião ordinária acontece nos dias 20 e 21 de outubro, em Brasília
A modernização dos sistemas judiciais, o fortalecimento da segurança digital e o enfrentamento ao trabalho infantil e à exploração sexual de crianças e adolescentes estão entre os temas da 8ª reunião ordinária do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), iniciada nesta terça-feira (20), em Brasília. O encontro, que segue até esta quarta-feira (21), reúne representantes da Justiça do Trabalho para discutir iniciativas voltadas à eficiência dos serviços, à segurança dos sistemas e à ampliação da proteção social.
Entre os assuntos apresentados estão a ferramenta Cratos, desenvolvida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) para automatizar as pesquisas patrimoniais; a implementação obrigatória da versão 2.22 do Processo Judicial Eletrônico (PJe); o programa Justiça Mais Segura, destinado à identificação e à correção de vulnerabilidades digitais; e a possibilidade de adesão dos tribunais regionais ao acordo de cooperação para fortalecer o combate à violência contra crianças e adolescentes.
Celeridade processual e precisão
O presidente do TRT-18, desembargador Eugênio José Cesário Rosa, e o servidor da Secretaria-Geral Judiciária do tribunal Rodrigo Madalosso Araújo apresentaram as funcionalidades do Cratos (Central de Recurso para Automação de Tarefas e Operações Sistêmicas). A ferramenta foi desenvolvida para automatizar a execução de convênios de pesquisa patrimonial utilizados nos processos trabalhistas.
Segundo o desembargador Eugênio José Cesário Rosa, a solução simplifica procedimentos e permite que magistrados obtenham respostas de forma mais rápida e padronizada.
“Desenvolvemos uma ferramenta simples que pesquisa, em poucos passos, nossos sistemas de convênios e fornece respostas imediatas ao juiz, com procedimentos padronizados”, destacou.
Coordenada por Rodrigo Madalosso, a ferramenta funciona como uma extensão de navegador que reúne e automatiza consultas a sistemas de pesquisa patrimonial. A proposta é tornar as diligências mais rápidas, uniformes e eficientes, especialmente na fase de execução dos processos.
De acordo com Madalosso, a automação também pode contribuir para reduzir a sobrecarga das equipes. “Ela auxilia os servidores a executarem de forma contínua, uniforme e padronizada os convênios mais comumente utilizados no processo de execução, acelerando o processo e contribuindo também na saúde mental dos servidores. Uma busca que levava 40 minutos agora conseguimos realizar em menos de dez”, exemplificou.
Outra funcionalidade destacada é a possibilidade de certificar com maior precisão as diligências realizadas, inclusive quando não há resultados positivos nas consultas. “Como as consultas são realizadas todas de uma vez, a pesquisa patrimonial fica mais ágil e permite também certificar as diligências negativas”, pontuou.
Após a homologação da ferramenta, a proposta é ampliar sua utilização para os demais Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs).
PJe 2.22 deve ser implementado por todos os tribunais
Ainda nesta terça-feira (20), foi informado que os TRTs devem priorizar a implantação da versão 2.22 do PJe. Até o momento, apenas os tribunais da 1ª, 4ª, 5ª, 15ª e 17ª Regiões haviam concluído a atualização. O suporte às versões anteriores foi encerrado em 12 de outubro.
A versão 2.22 reúne 416 demandas, incluindo 195 correções de defeitos, 152 melhorias e 69 itens de segurança e arquitetura. As próximas versões só poderão ser liberadas após a homologação de todas as demandas.
O cronograma prevê a versão intermediária 2.22.1.0 até 23 de outubro, com implantação opcional, e a versão consolidada 2.23.0.0 em 11 de dezembro, de implementação obrigatória. Após o lançamento de uma nova versão consolidada, os tribunais terão 14 dias para atualizar o sistema antes do encerramento do suporte à versão anterior.
Justiça Mais Segura
A juíza auxiliar do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) Brenna Nepomuceno apresentou o programa Justiça Mais Segura, que prevê a identificação e a correção contínua de falhas nos sistemas digitais da Justiça do Trabalho. O levantamento inicial identificou 382.946 vulnerabilidades em 74 produtos, sendo 9.842 críticas, cerca de 106 mil de alta severidade e aproximadamente 267 mil médias.
Os prazos para correção são de 30 dias para falhas críticas, 60 dias para as de alta severidade e 90 dias para as médias, contados a partir de 1º de setembro de 2026. As metas de conclusão são 1º de outubro, 31 de outubro e 30 de novembro, respectivamente. Após 45 dias, cerca de 30% das falhas haviam sido corrigidas, ritmo considerado insuficiente.
Coordenado pelo CSJT, o programa prevê varreduras automatizadas, classificação de riscos, atualização de componentes e monitoramento dos resultados por meio de um painel executivo. As equipes responsáveis corrigem as falhas, enquanto os tribunais regionais devem implantar as versões atualizadas.
TRTs poderão aderir a acordo contra a violência infantil
O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Alberto Balazeiro apresentou ainda o acordo de cooperação técnica firmado em maio de 2026 entre o CSJT e a Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes. A parceria busca fortalecer o combate ao trabalho infantil e à exploração sexual, especialmente nas ações de Justiça Itinerante.
A iniciativa prevê apoio técnico, materiais educativos, capacitação de magistrados e servidores, além de articulação com a rede de proteção. A medida considera o aumento das denúncias registradas pelo Disque 100, que tiveram um crescimento de aproximadamente 195% de 2020 a 2024.
Segundo Balazeiro, a parceria busca oferecer capacitação e suporte para que os tribunais atuem de forma efetiva e coordenada na proteção da infância e da adolescência.
A adesão deve ser formalizada pela presidência do TRT interessado, mediante assinatura de um termo, comunicação oficial ao CSJT e à Coalizão e divulgação no site institucional. Os tribunais participantes terão acesso ao apoio metodológico e aos materiais educativos para utilização nas ações de Justiça Itinerante, além de fortalecer a articulação com a rede de proteção em seus territórios.
Fonte: CSJTPor Andrea Magalhães/Sofia Martinello/JS Foto: Fellipe Sampaio











