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Oficina reuniu representantes dos 24 tribunais regionais para analisar desafios e contribuir para definição das prioridades da instituição

Presidentes, corregedores e gestores dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) participaram, na quarta-feira (21), de uma oficina para discutir os desafios da Justiça do Trabalho até 2032. Realizado na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), durante reunião do Colégio de Presidentes e Corregedores dos TRTs (Coleprecor), o encontro integra a elaboração do plano estratégico que orientará as prioridades e as ações da instituição no período.

As discussões abordaram mudanças nas relações de trabalho, como a expansão das plataformas digitais, as novas formas de contratação e os impactos da inteligência artificial. Também foram considerados desafios da prestação jurisdicional, entre eles garantir o cumprimento das decisões judiciais, lidar com o volume de processos e fortalecer a confiança da sociedade na Justiça do Trabalho

Preparar a Justiça para as mudanças

Para a presidente do Coleprecor, desembargadora Hermenegilda Leite Machado, o planejamento precisa considerar as transformações da sociedade e do mundo do trabalho, e não apenas o funcionamento dos processos judiciais.

“Não há como a gente fazer um planejamento estratégico apenas olhando para o processo; precisamos também ter uma visão inteira e saber o que está acontecendo ao nosso redor e no mundo do trabalho”, afirmou.

A oficina também reuniu dirigentes que estão concluindo seus mandatos e aqueles eleitos para as próximas gestões. Para Hermenegilda, o encontro favorece a troca de experiências entre quem já conhece os desafios da administração dos tribunais e quem está prestes a assumir novas responsabilidades.

“Acho que foi muito oportuno essa oficina se oferecer exatamente neste momento de transição e de renovação das administrações dos tribunais e das corregedorias. É uma oficina que vai ter um bom proveito porque ela está permitindo que tanto aqueles que estão e têm uma experiência a passar, quanto aqueles que estão chegando participem desse debate”, disse.

Ouvir diferentes públicos

A elaboração do plano inclui o mapeamento de 101 grupos que se relacionam direta ou indiretamente com a Justiça do Trabalho, uma pesquisa nacional com mais de 2 mil participantes e mais de 70 entrevistas em profundidade. A iniciativa busca reunir experiências e opiniões que ajudem a compreender os desafios da instituição e as expectativas em relação à sua atuação.

Segundo Renata Freire Camargos, da Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (Seggest) do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), a participação de diferentes públicos é uma das características do método adotado.

“Todas essas ações fazem parte de uma perspectiva diferente do planejamento estratégico, que é a primeira vez que a Justiça do Trabalho de fato utiliza: considerar seus públicos e fazer com que o planejamento estratégico seja um processo participativo”, explicou.

As pesquisas e entrevistas ajudam a identificar sinais de mudança e expectativas em relação à Justiça do Trabalho. As oficinas permitem discutir essas informações e analisar os cenários a partir das experiências dos participantes.

Para Carla Mota, coordenadora de Planejamento e Gestão Estratégica do TRT da 21ª Região (RN) e gerente do Laboratório de Inovação do tribunal, a diversidade de participantes amplia a compreensão dos desafios e contribui para a formulação de propostas.

“É diferente a percepção do gestor de um tribunal de grande porte para um de médio ou pequeno porte. Reunindo pessoas de portes diferentes, fica mais completa essa percepção e a proposição de ideias”, pontuou.

Como as oficinas vão orientar o planejamento

As propostas apresentadas nas oficinas serão analisadas em conjunto com os resultados das pesquisas e entrevistas e com dados históricos dos tribunais. Essas informações servirão de base para um diagnóstico estratégico, que orientará a definição dos objetivos, indicadores, metas e iniciativas da Justiça do Trabalho de 2027 a 2032.

O trabalho é coordenado pela Seggest do CSJT, com apoio de 15 laboratórios de inovação da Justiça do Trabalho. Os TRTs da 21ª Região (RN), da 3ª Região (MG) e da 10ª Região (DF/TO) formaram uma equipe de especialistas em gestão estratégica para apoiar a condução das oficinas.

Além do encontro com o Coleprecor, a programação inclui cinco oficinas temáticas, realizadas de 19 a 30 de outubro, com gestores e servidores de diferentes áreas. Os debates abordam gestão de pessoas e formação profissional; tecnologia, dados e inteligência artificial; orçamento e governança; comunicação, sociedade e sustentabilidade; e prestação jurisdicional.

O planejamento nacional será desenvolvido em articulação com os planos do CSJT e dos 24 TRTs. A metodologia permitirá que os tribunais regionais avancem na elaboração de seus planos locais à medida que as etapas nacionais forem concluídas, alinhando objetivos comuns às características e necessidades de cada região.

O cronograma prevê entregas mensais até junho de 2027, quando a expectativa é concluir os planos que orientarão a atuação da Justiça do Trabalho nos próximos seis anos.

Fonte:CSJT
Fernanda Duarte/JS
Foto: Bárbara Cabral